Convergência exige modelo(s) de gestão de conteúdo

Ívila Bessa
Bato na mesma tecla há alguns anos. Expiro e insisto em revelar que jornalismo, antes de tudo, é ¨gestão de conteúdo¨. É função inerente a qualquer jornalista, a de pensar, filtrar, organizar, explorar e expandir versões e produtos de conteúdo.
Hierarquicamente, redações concediam a função apenas para alguns, o dito editores, que repatriavam o poder de decisão a outros, os editores-chefes e, em alguns casos, à coroa de apenas um.
Bebendo na frase de William Gibson, “profeta noir” do cyberpunk, de que ¨O futuro já chegou. Só não está distribuído de forma equilibrada”, percebo que - diantes de novas plataformas tecnológicas no cardápio do dia a dia e consumo de qualquer um - finalmente somos obrigados a ouvir o grito silenciado de que ¨jornalistas devem agir como gestores de conteúdo¨. A mudança vem de fora (mercado e público) para dentro (redação) e o sentido do caminho é inevitável.
Dentre pistas da excelência de ser gestor de conteúdo, vemos emergir novos conceitos e experiências em crossmídia e transmídia.
Em nossa concepção, na narrativa crossmidiática, a intenção não é expandir o conteúdo, mas promovê-lo, de direcionar o receptor de um meio para o próximo. O diálogo principal não é com o assunto, com a temática ou com o contexto, mas com a mídia. Já na narrativa transmídia, o receptor segue os desdobramentos de uma temática, ou assunto ou contexto por meio de várias mídias. Ou seja, o elo, o conteúdo, traz complementaridade, distinção e valor. Dá ao público a opção do vício.
“Uma história transmidiática se desenrola através de múltiplos suportes midiáticos, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmidiática, cada meio faz o que faz de melhor”. (Henry Jenkins, Cultura da Convergência, 2008, p. 135).
“Cada acesso à franquia deve ser autônomo, para que não seja necessário ver o filme para gostar do game, e vice-versa. Cada produto determinado é um ponto de acesso à franquia como um todo”. (Henry Jenkins, Cultura da Convergência, 2008, p. 135).
Unindo todos os processos, o cálculo é:
Narrativa transmídia A + (…) + Narrativa transmídia (Z) = Convergência

